Clero e amigos manifestam sua gratidão a Dom Ercílio

Dom Ercílio esteve a frente da Diocese de Osasco de 2002 a 2014. Apresentou sua renúncia – por motivo de idade – ao Santo Padre Francisco, no dia 14 de março de 2013, sendo que a renúncia foi aceita no dia 16 de abril de 2014.

 

Por Dom João Bosco, ofm – Bispo Diocesano de Osasco

Pai, que me seja dada porção dupla do teu espírito… (2Rs 2,9)

Conta o Livro dos Reis que o profeta Eliseu depois de ter convivido com o seu mestre e antecessor, o profeta Elias, no momento de sua partida pediu exatamente isso: uma porção dupla do seu espírito, de sua coragem profética, de sua sabedoria. Não precisei fazer este pedido a Dom Ercílio, desde que cheguei. Ele espontaneamente me o ofereceu, com o recato de sua consciência clara do papel de emérito. Passados cinco anos e meio de uma convivência amiga e próxima, de confiança mútua e verdadeira comunhão, resumo em cinco grandes frases as lições que me ficaram mais marcantes. Haverá outras, sem dúvida, que irei tirando do baú das lembranças daqui para frente.

“Você vai gostar desta diocese. Eu fui muito feliz aqui”
Cheguei em Osasco muito assustado. O passo foi muito grande para a minha pouca experiência. Na minha imaginação estavam as imagens, sempre ruins, que eu via nas notícias de tv.  A serenidade de Dom Ercílio me trouxe paz. E pude constatar que era verdade. Ele amou muito esta diocese e se sentiu amado. Preparou a minha chegada, me abriu todas as portas. E sempre acompanhou com atenção os meus passos.  Não me lembro de ter tomado alguma grande decisão sem ter trocado ideias com ele. Seu amor pela diocese, mesmo tendo deixado o governo da mesma, continuou sempre vivo. As manifestações do povo entre as celebrações das exéquias não deixam dúvida. Ele recebeu de volta, por parte dos padres e do povo, o carinho que sempre demonstrou por todos nesta querida diocese.

“Não é por estar diante da sua pessoa…”
Ao visitá-lo em sua casa, antes de tomar um café, enquanto as irmãs preparavam a mesa, nos sentávamos a sós.  Sua delicadeza o impedia de discordar de qualquer ideia. Invariavelmente elogiava os passos dados, sem confronto, sem o menor sinal de discordância. Somente diante das minhas dúvidas, ele ponderava, lembrava algum fato anterior, mostrava quantas vezes havia tentado uma solução. Mas sua última palavra era sempre de incentivo e esperança. Seu imenso respeito por cada um, padre ou leigo, deve tê-lo feito muitas vezes guardar as palavras, evitar o confronto, evitar choques. O que não o impedia de bater o báculo com vigor em situações necessárias. Depois de emérito, sua gentileza ficou ainda maior. Mais alegre e descontraído, sempre me ajudou a refletir, com respeito e delicado interesse por todas as questões.

“Não quero dar trabalho ou ser pesado à diocese”
Dom Ercílio sempre teve uma vida simples, sem nenhum excesso. Ao se tornar emérito, sua preocupação em restringir as despesas se tornou uma constante. Lembrava-se dos primeiros anos em que enfrentou a falta de recursos até para o sustento do seminário e para as despesas normais da cúria. Organizou com muito zelo a parte administrativa e conseguiu estabilizar as contas com esforço e colaboração dos padres e do povo. Mas guardou sempre os costumes sóbrios e pouco exigentes consigo mesmo. Nada exigia para si. E ao enfrentar a enfermidade e as limitações, seu cuidado de não dar trabalho e não ser pesado à diocese quase se tornou obsessão. Com muito custo aceitava algo que lhe trouxesse um conforto a mais ou algum alívio extra. Na sua última internação e nos dias de UTI, era sempre delicado com enfermeiras e médicos, com os visitantes e com todos. E dizia sempre estar sendo bem tratado por todos. Era o seu modo de ser delicado e reconhecido.

“Sem eucaristia e sem o povo um sacerdote não vive”
Dom Ercílio, ao se tornar emérito, poderia ter ficado somente descansando. Isso lhe teria trazido, certamente, um tempo a mais de vida. Mas escolheu continuar servindo à diocese onde quer que fosse chamado. A irmã Letícia se encarregava de anotar todos os pedidos que recebia das paróquias e das comunidades: missas de padroeiro, crismas, novenas e outras celebrações. Quando sobrava um dia livre, escolhia uma pequena comunidade que estivesse sem missa para não ficar nem um só dia sem a eucaristia. Mesmo com o agravamento da enfermidade e sentindo a fraqueza e o desconforto, não parou nenhum dia. Teve crismas ainda na véspera de sua última internação. Nos últimos dias recebeu a comunhão, a unção, a indulgência plenária. Sabia bem o que sustenta o seu sacerdócio.

“O que me dá forças para enfrentar as dificuldades: a confiança em Deus”
Já nos últimos tempos, concelebramos certa vez em sua casa. Irmã Letícia estava com a câmera nas mãos e no final da celebração fiz com ele uma pequena sabatina de improviso: perguntei o que lhe dava forças para enfrentar as dificuldades que vinha passando, com grande sofrimento. Retiro do vídeo a sua resposta serena: “O que sempre me sustentou foi a confiança em Deus. Diante da minha fragilidade, eu só podia confiar no amor de Deus, que não abandona ninguém. Deus chama, Deus sustenta, Deus envia e Deus nos ajuda a viver a missão no meio das pessoas. Agradeço a Deus, de coração, por ter me dado o dom da Fé e também o auxílio para que eu vivesse a missão que Ele me confiou”.

Se eu lhe dissesse hoje: “Dom Ercílio, seja agora muito feliz, na eternidade, junto da Trindade Santa e de nossa Mãe, Maria!” ele responderia com o seu eterno bom humor: “Obrigado, igualmente!”

 

Por Monsenhor Claudemir José dos Santos – vigário geral da Diocese de Osasco e pároco da Catedral de Santo Antônio

Para mim foi um privilégio muito grande conviver com Dom Ercílio. Eu posso dar o testemunho como vigário geral, que de fato, Dom Ercílio veio em nome do Senhor. Foi para nós verdadeiro exemplo de pai e pastor. Ouvi vários testemunhos de que, até no finalzinho da vida, abençoava as pessoas que foram visitá-lo e dando uma palavra de incentivo. Com certeza, Dom Ercílio retorna à casa paterna.  Ele foi um homem que soube transmitir a fé, no anúncio e na escuta da palavra de Deus. Com a sua simplicidade e humildade soube cativar o povo de Deus e os padres da diocese. Na condição de pai escutava, aconselhava e quando necessário corrigia. Com certeza sua partida para o Pai Celestial abre uma lacuna na nossa vida, no entanto, temos plena convicção que seu exemplo permanecerá para sempre na nossa memória.

Além de ser este pastor também foi um bom administrador, soube administrar bem a nossa diocese. Eu particularmente, aprendi muito com ele. No seu Governo Pastoral foram dados avanços significativos, nos aspectos administrativos: tivemos a implantação do sistema TEOS utilizados em todas as paróquias, para prestação de contas e a elaboração das Diretrizes Diocesanas para Administração Paroquial, em vigência até o momento atual. Outros aspectos importantes foram: melhor organização nos seminários, criação do Propedêutico, ampliação do quadro dos formadores, abertura para atuação de profissionais especializados na área do comportamento humano (psicólogos e psiquiatras). Ele deixa para nós um exemplo de fé e dedicação e de amor à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Obrigado Dom Ercílio, que o Senhor da vida lhe dê a recompensa eterna!

 

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Por Ir. Letícia Perez – Missionária de Jesus Sacerdote

Muchas gracias señor, muy amable señor
Em nome das Missionárias de Jesus Sacerdote quero deixar nossa gratidão a Deus pela vida e missão de Dom Ercílio Turco pela sua acolhida, apoio, ensinamentos e carinho que dele recebemos ao longo dos doze anos de seu ministério e prolongados nestes anos de sua emeritude.
Obrigada por nos ajudar a nos inculturar e amar esta Terra de Santa Cruz. Todas as superioras gerais que o conheceram diziam “Este é um homem sábio há que deixar-nos conduzir por ele”.
Ele nos deixa um legado baseado no seu testemunho de amor a Deus, amor a igreja, sua vida de oração, humildade e sua devoção pela Virgem Maria. Não temos como pagar-lhe tudo bem que fez em nosso favor. Confiamos na sua intercessão para que possamos crescer mais com vocações e em santidade, para que Jesus Sacerdote seja cada vez mais conhecido, amado e seguido e assim possamos servir na evangelização na Igreja do Brasil.

 

Por Pe. Eduardo Sobrinho – Paróquia Nossa Senhora da Penha/ Araçariguama

Sempre tive um grande carinho, respeito, admiração e amor por Dom Ercílio, e nesses dias no qual eu pude estar com ele acompanhando-o em alguns dias no hospital esses sentimentos evidenciaram-se ainda mais. As experiências vividas com ele em cada momento que nos encontrávamos sempre era motivo de muita alegria e reciprocidade, sempre vi um grande pai e pastor, homem que confiava em Deus…colocava e depositava e entregava sua vida a Ele. Foi exatamente isso que presenciei com a Ir. Letícia no momento de sua passagem, foi um momento único em minha vida – uma graça – poder estar com ele nesse momento de sua passagem dessa vida para a vida eterna, as palavras pronunciadas por ele que ficam no meu coração são: ‘Deus é bom…estou pronto…obrigado…por favor…fiquem com Deus, eu estou com Ele’. Obrigado Dom Ercílio por me ensinar que para ser grande é necessário ser pequeno, simples e humilde, amar a Deus e aos irmãos.

 

Por Pe. José Ailton Pardinho

Dom Ercílio Turco – uma vida ofertada ao Pai!
Falar de uma experiência brilhante, é falar da convivência com Dom Ercílio Turco. Eu já o conhecia mesmo antes de pertencer a Diocese de Osasco. Mas a partir do ano 2006, quando fui para a Diocese de Osasco, onde fui acolhido por Dom Ercílio e o seu clero, comecei a fazer parte diretamente dessa amada e querida diocese. Dom Ercílio para mim, sempre foi, é e será um homem de Deus. Um homem que não media esforços para atender o clero, o seminário, o povo de Deus. Enfim, um pai, amigo e pastor que sabia cuidar de seu rebanho com toda sabedoria divina. Um homem santo! Um homem de oração, que acolhia o sacerdote a qualquer momento! A sua casa, era a casa dos seus filhos sacerdotes, sempre preocupado com o seu rebanho. Ele era um homem humano! Fazia de tudo para salvar a vida de um sacerdote, de um seminarista. Um homem bom, um homem justo, coerente, prudente! Um homem sábio!

 

Por Pe. Vagner Moraes – Pároco da Paróquia Espírito Santo / Osasco

Eu o conheci quando estava ainda no seminário, foi a chegada do novo bispo na Diocese de Osasco, o 2° bispo diocesano. E havia sido marcado um encontro com o clero e com o seminário na Paróquia São José, que fica ao lado do Seminário São José. Foi um momento bonito, ao mesmo tempo de grandes perguntas: quem viria, como seria? Mas ao mesmo tempo de expectativa. Esse momento marcou porque Dom Ercílio veio muito sereno, mas se percebia que era um grande observador. A minha experiência mais profunda com ele foi no tempo de seminário, ele chamava um por um para conversar, sua palavra foi sempre de incentivo, de testemunho, ele sempre dizia uma palavra que ficava gravado: “permaneça firme e fiel”. Sempre com um olhar profundo para nós!
A princípio dava um certo receio, um seminarista falar com o bispo, parecia tão distante, mas ali ele foi se mostrando pai. Como ele sempre gostava de dizer “um abraço de pai e pastor!”

Sou grato por ter recebido dele a ordenação e sempre dizia a ele, “Dom Ercílio eu sou muito grato por aquilo que o senhor pode fazer por mim, me conceder o maior presente da minha vida, que foi o ministério ordenado”. Eu agradeço a Deus por ter visto um grande homem que na simplicidade, na fidelidade, na vida contemplativa, na oração, sempre pode mostrar o zelo de Deus para a minha vocação para com a Diocese de Osasco. Minha palavra é esta, gratidão pela vida de Dom Ercílio!

 

Por Pe. Edileis de Araújo

Tive a alegria de participar do ministério episcopal de dom Ercilio de dois modos, sendo encarregado da animação pastoral e na formação dos futuros padres através da preparação imediata ao diaconato, presbiterato e acompanhamento até o quinto ano de ordenação. Dom Ercilio foi um formador excelente. Procurou através da formação dos leigos criar um laicato bem atuante na sociedade, pois entendia que “aonde o padre não entra” lá está o leigo garantindo a presença da Igreja e do Evangelho. Nunca parou! Descansava pouco, estava sempre pronto a acolher.

Era exigente e ao mesmo tempo misericordioso. Homem simples e pobre. Viveu na simplicidade e na pobreza. Amante dos mais pobres. Ele me ensinou, entre muitas lições, que o padre deveria conhecer na paróquia pelo menos 3 famílias carentes e deveria conhecer seus desejos e seus sonhos, saber o que gostavam de comer e procurar satisfazê-los.

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